Eis que a junção dos Experiments anteriores deu lugar ao Experiment #3...onde pela primeira vez a desmultiplicação ocorre verdadeiramente, e de um solo se passa a dueto: Margarida Menezes entrou no barco da metáfora imagética e corporal, para daí não mais sair até que, juntas, encontremos bom porto.
A mística deste acontecimento (#3 - único número igual à soma dos dois números imediatamente anteriores) remete-nos ainda para uma pequena dissertação matemática (a bela Sequência Fibonacci) pelo que temos algum prazer em afirmar que não haverá Experiment #4 - só #5 - e por aí fora, tendo sempre como base a recriação/evolução dos dois números anteriores da série Experiment*.
Ficam alguns olhares.
Experiment#3 é mais um manifesto de imagens e metáforas que abraça a linguagem corporal para comunicar devaneios em surdina. A palavra não diz tudo: completa o que se quer dizer num momento de generosidade mútua, em que se reflecte sobre o indivíduo na cidade. 
Video realizado no âmbito da I Residência Artistica de artes Performativas da Associação Luzlinar no Feital (Guarda)http://www.luzlinar.org/
Orientadores- Dora Bernardo e Nuno Veiga
Concepção- Nuno Veiga
Participantes: Ana Carolina Santos,António Dente, Bruno Lopes, Eugénia Carvalho,Mariana Fernandes, Mariana Gonçalves, Mónica Nunes, Roger Bento,Tiago Rodrigues
Brevemente postarei o video e algumas fotos do Experiment#2 @Rabiscuits.
Agradeço mais uma vez ao Gonçalo e à Rita, exímios produtores do evento, que não deixaram que nos faltasse o que quer que fosse, e aos "outros" (Bruno, Valter, Toninho, Nuno - Galdéria, Filipa, Sandra - Super Gorrila, João) que no espaço de algumas horas, me fizeram voltar a acreditar em sonhos...
Deixo alguns "sítíos" para espreitarem...
Rabiscuits - http://rabiscuits.blogspot.com/
Super Gorrila - http://supergorrila.blogspot.com/
Galdéria - http://galderia.wordpress.com/
Bruno Gonçalves - http://brunoogoncalves.blogspot.com/
A c.ESSart , que em Julho arregaçou as mangas e amassou bem o Experiment#1, deixou a massa a levedar durante o Verão e volta agora com um sabor ainda mais apurado para vos apresentar o Experiment#2.
Esta performance, na evolução da primeira, contará apenas com duas apresentações em Alcobaça, no âmbito do Festival de Arte Experimental Rabiscuits'09 : Sexta , 18 de Setembro pelas 22h e Sábado, às 16h, na passagem em frente ao Mosteiro.
Para quem assistiu ao Experiment#1 em Julho, certamente encontrará maior significado neste regresso, e muito me agradaria ter-vos de novo ao pé do tapete preto.
Para quem não viu, convido-vos a dar uma escapadinha até a Alcobaça neste fim de semana...
<//strong></ strong=""><//></ strong=""><//></><//></ strong=""><//></><//></><//></><//>Até amanhã?
<//font></ font=""><//></ font=""><//></><//></ font=""><//></><//></><//></><//>
<//font></ font=""><//></ font=""><//></><//></ font=""><//></><//></><//></><//>
O projecto Luzlunar pretende ser uma oficina de experimentação e transgressão de conceitos e metodologias na criação performativa, explorar formas de criação de neo-identidades: individuais, locais, materiais, situacionais, culturais, textuais, antropológicas, imagéticas, religiosas, arquitectónicas e paisagísticas, através das artes performativas.
Ao longo da oficina, os participantes serão convidados a criar discursos performativos que, ao 5º dia, serão apresentados ao público sob a forma de espectáculo, sempre no início duma noite de lua cheia.
A primeira residência vai ser orientada pelos actores Dora Bernardo e Nuno Veiga.
Virei mais tarde a perguntar-me: porquê?
E sem saber, recuo até ao grande zero.
O salto inverso, o negativo dentro do positivo, o fotograma que encrava...não anda nem desanda. O antes e o depois.
E durante o nada, o que acontece? Há vida no vácuo? Na ausência de matéria há substância?
A negação de existência é em si só um facto. Logo existe?
Somos palavras ocas que escorrem tropegamente em busca da sua própria representação...
Virei mais tarde a perceber o porquê: tudo teria sido mais fácil se, pelo menos, conseguisse controlar(-me)o(/a) tempo.
Talvez tenha chegado o momento de deixar a minha carne ser permeável.
De deixar a dor passar por ela, como deve ser.
A minha história, como a de tantos outros, começa mas não acaba. Ainda não acabou.
Tudo são fragmentos de mim, daquilo que me tornei, e daquilo que ainda virei a ser. Melhor ou pior, não importa. Existiram, e isso é tudo. São incontornáveis traços de um passado que nunca mais posso controlar.
Comunicar. O que é preciso é comunicar.
Uma alma livre é uma alma só.
É a que quer estar só para poder ser livre.Without restraints.
Livre é estar só - porque se quer
Liberdade de acção desprendida e descomprometida
Enquanto estado de alma
Inigualável
Que bate o amor e a felicidade
É sofrimento consciente
Loucura intermitente
Pousada no gume da navalha
Cá e lá
Razão e perdição
Desespero
Calma
Saciada a dor do outro
Da necessidade de outro
Do vazio de nós sem mais nada
Solidão consumada
É liberdade
Abandono consciente da dependência humana
Totalmente reversível e controlável
Pois muito embora a beleza imensurável de um todo
Auto-sustentado
Ninguém é sempre livre
Para sempre
Ninguém sobrevive
Para sempre
Em estado de solidão
Em permanência
Já não se é livre
É-se acorrentado
Perdido o ponto de equilíbrio na lâmina
De só passa-se a abandonado.



De olhos ainda entreabertos bate-se o espaço. Devassam-se as provas de que tudo mudou. (Assim, inocentemente…:) Que nós mudámos, a cidade mudou, e que há uma nova vida à espera lá fora.
Podíamos dissertar sobre tudo o que esperamos que se altere, sem nunca fazer algo de significativo para que isso aconteça. Mas aqui…! Aqui é como se tudo tivesse um tempo e uma vida própria.
Não é?
Desmultiplicamo-nos em pernas trémulas braços vigorosos pulmões a meio gás faces olhos perversas mentes sábias pedras da calçada soltas em terra batida de edifícios velhos apaixonantes copos de plástico vazios autocarros atrasados animais felizes fluentes livres pensadores doutores usurpadores artistas linguistas magistrados frustrados papéis na reprografia esperando acção política caseira sobrevivência constante estudante que passa alta e baixa vazia jardim verde bairro e avenida. Aqui em todo o lado há vida.
Não há?
Boa ou má, persegue-nos, e nós a ela, procurando ganhar o jogo da caça ao tesouro. Ambos somos piratas. Nós e a Vida, digo. Nós e Coimbra. Coimbra e a Vida, habitada por piratas predadores.
Piratas da arte predadores da lei da saúde piratas da sabedoria predadores do amor das palavras predadores pirateados infelizes errantes descontentes com tudo o que não caçam com o que não é possível saquear por nem sequer estar à vista.
E não é nada fácil ser pirata.
Coimbra tem uma perna de pau e um olho em falta. Vê pouco, anda devagar e bebe muito, mas parte rumo à conquista. E às vezes até ganha.
Prende-nos pela sua mística, pelos lugares comuns que já ultrapassaram o espaço da memória. São nossos. E estamos vinculados ao vazio da explicação inexistente.
Afinal estamos aqui só porque sim…
Amamos e odiamos a cidade porque sim vivemos tudo em falta de algo melhor sem consciência de que podíamos tê-lo feito exactamente agora.
Somos Coimbra e fugimos a querer voltar. Damos a querer receber. Sugamos tudo e restituímos o caroço.
Saqueemos inversamente a vida a esta cidade! Declaremos luta ao nosso âmago! Sejamos nós pernas olhos mente e coração deste predador entorpecido!














